Hidrovias dependem de portos. Estes, por sua vez, só existem por conta
daquelas. Eis um insight verificado a
partir do ângulo do trabalho numa unidade regional da ANTAQ. Essa lógica força
a ampliação do foco do Blog da Hidrovia.
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Navio conduzido ao porto de Porto Alegre |
Os portos foram nascedouros de diversas cidades brasileiras. Porta de
entrada de colonizadores e desbravadores de muitos rincões nesse país. Seguem servindo
a nobres objetivos. Viabilizam riqueza e desenvolvimento. Todavia, em que pese o
fato de, outrora, terem sido embriões de metrópoles e, hoje, operarem a entrada
e saída de mais de 90% das importações e exportações brasileiras, enfrentam
inúmeras crises e padecem de certa discriminação da sociedade.
As cidades cresceram, incharam, aglomeraram-se. Em muitos locais, os
portos não acompanharam esse ritmo. Permaneceram marcando passo. A opção pelo
rodoviarismo exacerbado deixou de moletas o modal ferroviário e, colocou a
hidrovia na UTI, juntamente com alguns de seus portos. Tal fato contribuiu para
deteriorar ainda mais a relação porto-cidade. As novas instalações portuárias
buscaram se afastar dos centros urbanos. As já existentes lutam para reequilibrar
esse entrosamento.
É o caso do porto de Porto Alegre. Em operação desde 1916, é o maior porto
fluvial do Brasil em extensão. Apresenta 8 km de instalações acostáveis,
considerando os cais Mauá, Marcílio Dias e Navegantes. Abrange uma área total
de quase meio milhão de metros quadrados num ambiente privilegiado da cidade. Assim,
aproxima-se do seu centenário, no entanto, sem muito a comemorar. Decadente nos
volumes movimentados e nos investimentos necessários, agoniza a obsolescência e
sucateamento de seu patrimônio e luta contra o declínio no fluxo de embarcações.
Como porto público ainda operacional subsiste apenas o cais Navegantes. O Mauá,
há décadas fora de operação, está localizado no coração da capital gaúcha.
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Vista Geral do projeto de Revitalização do Cais Mauá - Porto Alegre/RS |
Reverter esse quadro é possível. Urge ampliar os investimentos na
melhoria dessa infraestrutura, na gestão do porto e da hidrovia, por meio de
políticas públicas e ações privadas efetivas e eficazes. Urge dar outra
finalidade às áreas consideradas como “não operacionais” nos portos. Nessa
linha, uma solução inteligente é o projeto de revitalização do cais Mauá.
Tal projeto é uma parceria de brasileiros e espanhóis, que reacende o
brilho do relacionamento entre o porto e a cidade, a partir da criação de um
espaço nobre, com cerca de 3,5 km de orla fluvial. É simples e genial a idéia de
a região central resgatar sua convivência com o rio Guaíba, percebendo-o como
elemento valioso no cenário urbano. Como informam seus idealizadores: “o
desafio é maximizar e democratizar os espaços subvalorizados do rio; é como passá-lo
dos fundos para frente da cidade”.
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Esboço da nova proposta de ocupação da área do cais Mauá prevista no projeto |
Desse modo, a proposta prevê revitalizar as áreas da usina do
Gasômetro, dos armazéns e das docas, totalizando 187 mil m2. Propõe a ruptura do quadro atual de
subutilização por um novo enfoque de priorização de uso e ocupação do solo, de
mobilidade, de preservação do patrimônio histórico, cultural, paisagístico e
ambiental, em harmonia com a orla do Guaíba. Outra grande sacada é a transformação
do muro da Av. Mauá numa cortina d´água, convertida em luminária, à noite. Quem
sabe um dia, o trensurb fique subterrâneo nesse local, eliminando-se um grande
obstáculo à integração efetiva do cais e o centro.
Enfim, que venha o projeto de revitalização do cais Mauá. Que se
transforme em exemplo concreto de parceria publico privada vantajosa para a
sociedade. Que sirva de referência para execução de outras iniciativas, em
especial, no segmento de portos e hidrovias, transformando-os positivamente. Por
tudo isso, revitalizar é preciso. É dar nova vida ao porto e à cidade.
Por JOSE
ALLAMA
Fontes:
Me parece que este cais Mauá vai ser um bom ponto turístico.
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