domingo, abril 29, 2012

REVITALIZAR É PRECISO !

Hidrovias dependem de portos. Estes, por sua vez, só existem por conta daquelas. Eis um insight verificado a partir do ângulo do trabalho numa unidade regional da ANTAQ. Essa lógica força a ampliação do foco do Blog da Hidrovia.
Navio conduzido ao porto de Porto Alegre
Os portos foram nascedouros de diversas cidades brasileiras. Porta de entrada de colonizadores e desbravadores de muitos rincões nesse país. Seguem servindo a nobres objetivos. Viabilizam riqueza e desenvolvimento. Todavia, em que pese o fato de, outrora, terem sido embriões de metrópoles e, hoje, operarem a entrada e saída de mais de 90% das importações e exportações brasileiras, enfrentam inúmeras crises e padecem de certa discriminação da sociedade.
As cidades cresceram, incharam, aglomeraram-se. Em muitos locais, os portos não acompanharam esse ritmo. Permaneceram marcando passo. A opção pelo rodoviarismo exacerbado deixou de moletas o modal ferroviário e, colocou a hidrovia na UTI, juntamente com alguns de seus portos. Tal fato contribuiu para deteriorar ainda mais a relação porto-cidade. As novas instalações portuárias buscaram se afastar dos centros urbanos. As já existentes lutam para reequilibrar esse entrosamento. 
É o caso do porto de Porto Alegre. Em operação desde 1916, é o maior porto fluvial do Brasil em extensão. Apresenta 8 km de instalações acostáveis, considerando os cais Mauá, Marcílio Dias e Navegantes. Abrange uma área total de quase meio milhão de metros quadrados num ambiente privilegiado da cidade. Assim, aproxima-se do seu centenário, no entanto, sem muito a comemorar. Decadente nos volumes movimentados e nos investimentos necessários, agoniza a obsolescência e sucateamento de seu patrimônio e luta contra o declínio no fluxo de embarcações. Como porto público ainda operacional subsiste apenas o cais Navegantes. O Mauá, há décadas fora de operação, está localizado no coração da capital gaúcha.
Vista Geral do projeto de Revitalização do Cais Mauá - Porto Alegre/RS
Reverter esse quadro é possível. Urge ampliar os investimentos na melhoria dessa infraestrutura, na gestão do porto e da hidrovia, por meio de políticas públicas e ações privadas efetivas e eficazes. Urge dar outra finalidade às áreas consideradas como “não operacionais” nos portos. Nessa linha, uma solução inteligente é o projeto de revitalização do cais Mauá.
Tal projeto é uma parceria de brasileiros e espanhóis, que reacende o brilho do relacionamento entre o porto e a cidade, a partir da criação de um espaço nobre, com cerca de 3,5 km de orla fluvial. É simples e genial a idéia de a região central resgatar sua convivência com o rio Guaíba, percebendo-o como elemento valioso no cenário urbano. Como informam seus idealizadores: “o desafio é maximizar e democratizar os espaços subvalorizados do rio; é como passá-lo dos fundos para frente da cidade”.
Esboço da nova proposta de ocupação da área
 do cais Mauá prevista no projeto
Desse modo, a proposta prevê revitalizar as áreas da usina do Gasômetro, dos armazéns e das docas, totalizando 187 mil m2. Propõe a ruptura do quadro atual de subutilização por um novo enfoque de priorização de uso e ocupação do solo, de mobilidade, de preservação do patrimônio histórico, cultural, paisagístico e ambiental, em harmonia com a orla do Guaíba. Outra grande sacada é a transformação do muro da Av. Mauá numa cortina d´água, convertida em luminária, à noite. Quem sabe um dia, o trensurb fique subterrâneo nesse local, eliminando-se um grande obstáculo à integração efetiva do cais e o centro.
Enfim, que venha o projeto de revitalização do cais Mauá. Que se transforme em exemplo concreto de parceria publico privada vantajosa para a sociedade. Que sirva de referência para execução de outras iniciativas, em especial, no segmento de portos e hidrovias, transformando-os positivamente. Por tudo isso, revitalizar é preciso. É dar nova vida ao porto e à cidade.

Por JOSE ALLAMA

Fontes:
·        http://www.sph.rs.gov.br/

Um comentário:

  1. Me parece que este cais Mauá vai ser um bom ponto turístico.

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