domingo, junho 26, 2011

ROMPENDO BLOQUEIOS MENTAIS

       Árduo é o desafio de mostrar que os temas abordados neste espaço vão além do mote hidroviário. Aliás, hidrovia é apenas um título, um pano de fundo para o debate sobre assuntos do cotidiano. Assim, os artigos navegam por questões da ética, da gestão, do planejamento, da integração, do desenvolvimento, do meio ambiente, da tecnologia e inovação, entre outros. Por essa razão carregam forte transversalidade com diversas áreas de interesse. Penso até que se alterasse o nome para Blog da Telecom, da Energia, da Saúde ou ambiental, a essência do recado não seria muito diferente.
Muitas pessoas criam filtros temáticos como barreiras à enxurrada de informações que invade nosso dia-a-dia e selecionam apenas o que interessa. Pode ser uma boa estratégia. Por outro lado, essa prática pode intensificar os bloqueios mentais que naturalmente já cultivamos. Pode ainda nos afundar em nosso “mundo” e reduzir a visão de 360° das coisas, cada vez mais exigida nos dias de hoje. 
Xícara Mental do Mestre Zen,
de Roger Von Oech.
  Ao falar em bloqueios mentais vale citar a história da Xícara Mental do Mestre Zen, do livro Um “toc” na cuca, de Roger Von Oech. Conta que um mestre convida o discípulo para passar alguns ensinamentos. Enquanto conversam, chega a hora do chá. O mestre pega o bule e começa a serví-lo.  A xícara enche e o líquido começa a derramar no pires, na mesa e alcança o chão. Vendo aquilo, o aluno atento adverte: - Mestre, a xícara está cheia e o chá derramando! Então, o guru pára de servir e exclama: - Muito perspicaz! O mesmo pode acontecer com você. Assim como o chá nessa xícara, meus ensinamentos podem estar transbordando de sua mente. Moral: precisamos ser capazes de esvaziar nossa xícara mental para assimilar novos conhecimentos.  
 Bloqueios mentais são rompidos com transparência e estímulo à busca de novas informações e pontos de vista. Com provocações e auto-reflexão nos desvencilhamos de preconceitos e paradigmas. Isso requer envolvimento e comprometimento com temas que afetam nossa qualidade de vida. 
           Nesse aspecto, uma iniciativa interessante é o Prêmio ANA. Pois, tem instigado a população a pensar mais e evoluir em relação a um importante objeto do setor regulado: a água.  Realizado a cada biênio, vai agora para sua quarta edição. As edições de 2006, 2008 e 2010 ampliaram a visibilidade para a Agência Nacional de Águas. Conta com um grande aliado que é a Caixa. 
          A chamada do último concurso foi “Água: o Desafio do Desenvolvimento Sustentável”. Concorreram quase 280 trabalhos, em sete categorias: Empresas, Ensino, Governo, Imprensa, ONG, Organismos de Bacia e Pesquisa e Inovação Tecnológica. A cerimônia de premiação ocorreu no teatro da Caixa Cultural de Brasília, em dezembro último.
Troféu Prêmio ANA, de 2010.
Créditos: Júnior Aragão /Banco Imagens ANA
Tive oportunidade de participar. Presentes, autoridades, servidores, convidados, os três finalistas de cada classe e comissão julgadora independente. Os ganhadores, revelados somente nessa hora, receberam o Troféu Prêmio ANA , obra do mestre vidreiro italiano Mario Seguso (foto). Fiquei impressionado com a envergadura do evento. Pena que as pessoas que somente leram as notícias, por mais bem escritas que estivessem, não sentiram a dimensão do significado desse prêmio. Seja pela emoção proporcionada nessa noite de gala do setor de recursos hídricos, seja pela forma como esses projetos, premiados ou não, contribuíram e continuarão a contribuir para a melhoria do ambiente onde se inserem.  Certamente, tem provocado a ruptura de paradigmas. Está de parabéns a ANA.
Bons exemplos são para serem seguidos. Agora, a idéia se propaga. A Agência Nacional do Transporte Aquaviário incluiu em seu planejamento estratégico o Prêmio ANTAQ. Assim, trabalha para instituir um modelo de reconhecimento de contribuições da sociedade nesse importante modal de transporte. Seu formato ainda está em discussão. Tenho o privilégio de integrar a equipe que o discute. 
               Fomos conhecer os bastidores do prêmio ANA. Tivemos ensinamentos valiosos sobre a organização do prêmio deles. Mas, o que mais chamou atenção foi o brilho de satisfação nos olhos das pessoas que contribuíram para que o evento acontecesse.
            Há muito trabalho pela frente. Não é fácil organizar um concurso dessa natureza. Será preciso o envolvimento dos servidores, a organização de equipes comprometidas e o empenho da direção da ANTAQ. Independente de quantas categorias seja constituído o Prêmio ANTAQ é importante que contemple as três grandes áreas da agência, como elos de uma corrente: Navegação Interior, Portos e Navegação Marítima. 
                Inicialmente, pensou-se que a água constituísse tema mais instigante à participação da sociedade. Entretanto, logo em seguida, numa pequena reflexão nos surpreendemos com a riqueza e importância do transporte aquaviário para a sociedade moderna. Trata-se de um dos usos múltiplos da água. Por meio da navegação descobriu-se essa terra extraordinária chamada Brasil. A navegação interior pode desafogar os sistemas internos de transporte e desbravar os grotões desse país, de modo sustentável. Nossos portos são janelas para o mundo. E, a navegação marítima, a ponte que conecta continentes. Poucos temas podem instigar tanto a sociedade quanto esse. Com uma boa campanha de divulgação, o número de trabalhos concorrentes pode surpreender.
O momento é oportuno. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários completa 10 anos de existência. Precisa fortalecer ainda mais seu papel e consolidar o motivo pelo qual foi criada. Não somente a ANTAQ, mas as agências necessitam buscar formas de aperfeiçoar sua interação e relacionamento com as comunidades onde atuam. Então, estimular usuários, regulados, entidades governamentais e não governamentais, imprensa, academia e ensino e demais cidadãos a apresentarem propostas para tornar melhor esse país é uma excelente iniciativa. Além de ajudar a minimizar os bloqueios mentais das pessoas, permite ampliar o reconhecimento da importância do papel de regulação de serviços públicos para a sociedade.

Um comentário:

  1. Belo post Allama. Sempre aprecio o que é publicado neste espaço, mas este artigo em particular é especial. Não há como ler o texto e não refletir sobre os bloqueios que criamos em nossas mentes e os que vemos nas instituições. Viva a ANTAQ, que com o prêmio vai mudar o patamar de interlocução com a sociedade. E para quem acha que este blog é voltado apenas a quem trabalha com transportes, está na hora de tomar um pouco do chá, pois a xícara está transbordando.

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