domingo, março 25, 2012

A HIDROVIA NA ECONOMIA VERDE

Emblema de Brasilia - Memorial JK
Após dez anos em Brasília estou de volta ao Rio Grande do Sul. Dessa vez, de mala e cuia, para trabalhar na Unidade Regional da ANTAQ. Essa década no DF foi uma experiência gratificante. O trabalho na Caixa, na ANCINE/RJ, na ANATEL e, por último, na sede da ANTAQ proporcionou uma visão interessante de diversos setores e atividades. Em especial, permitiu criar fortes laços de amizades, que fizeram, muitas vezes, às vezes da família distante. Por isso, obrigado pela convivência e amizade.
De outro ângulo, a atuação na UAR Porto Alegre representa um novo desafio, pois amplia o foco da navegação interior para outras esferas da Agência, tais como portos, navegação de cabotagem e marítima, com ênfase na fiscalização. O RS oferece um potencial enorme para o transporte aquaviário. De quebra, troquei os congestionamentos da Capital Federal pelo catamarã, da travessia Guaíba-POA, com privilégio de desembarcar quase na porta da ANTAQ. 
Monumento ao Laçador 
Assim, o post desta semana tem duplo objetivo. O primeiro, informar os leitores acerca da alteração no porto de origem do Blog. E, segundo, provocar uma reflexão sobre a iminência do evento mais importante de 2012: a Cúpula da Terra Rio+20; destacando a temática da hidrovia dentro de um novo conceito denominado “economia verde”, o qual vem ganhando força no debate sobre desenvolvimento sustentável.
Então, de 20 a 22 de junho próximo, o Rio de Janeiro será a sede das Nações Unidas e, o Brasil, o centro das atenções do planeta. Estima-se a presença de 150 chefes de Estado e mais de 50.000 visitantes. Oficialmente designado como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o encontro representa nova tentativa de progredir em relação ao compromisso dos Estados e da comunidade mundial com as imprescindíveis mudanças do século XXI. Vinte anos após a cúpula histórica do RJ, a Eco/92 e, dez anos depois do encontro de Johanesburgo, na África do Sul, aproxima-se agora uma nova edição do evento.
           Imagem da Sede da ONU em Nova York
O chamamento da Organização das Nações Unidas (ONU) é ambicioso. Conclama aos países, a sociedade civil e aos cidadãos estabelecer “os alicerces de um mundo de prosperidade, paz e sustentabilidade”, apontando três temas centrais: i) Reforçar os compromissos políticos em favor do desenvolvimento sustentável; ii) Expor um resumo dos avanços e dificuldades associados à sua implementação; iii) Analisar as respostas aos novos desafios emergentes das sociedades. Nesse contexto, duas questões cruciais tornam-se alvo do debate: 1. uma economia verde em prol da sustentabilidade e da erradicação da pobreza; 2. a criação de um marco institucional para o desenvolvimento sustentável.
Tais desafios nascem pelas mãos da ONU, no entanto, devem ser adotados por todos os povos, todos os cidadãos e cidadãs do planeta, caso desejem que a Terra, em 2050, por exemplo, ofereça uma condição de vida digna aos seus 9 bilhões de habitantes. Felizmente, as pessoas se revelam cada vez mais audaciosas, empoderadas e com capacidade crescente para se manifestar e participar nos rumos da civilização. Especialmente, nas decisões de consumo constata-se uma diferença significativa desta geração em relação às anteriores. Mas, é preciso avançar mais.
Nessa esteira, uma das novidades propostas no fórum diz respeito ao termo “Green Economy”, o qual deve ser traduzido como “economia verde e inclusiva”. Segundo Aron Belinky, ligado à ONG Green Economy Coalition e coordenador dos eventos preparatórios do encontro internacional, trata-se de “um novo instrumento para alcançar o progresso, aliando respeito ambiental e inclusão social. Nele, as ações são pensadas não apenas para ajudar na redução dos impactos ambientais e das demandas sobre recursos escassos dos ecossistemas, mas também gerar valor para a natureza”.
Pois é na onda da economia verde que o transporte aquaviário pode conquistar mais espaço. O transporte como atividade humana gera impacto ambiental relevante no ranking da poluição planetária. Entretanto, vale frisar que no comparativo entre modais, o aquaviário provoca a menor degradação. Além das vantagens energéticas, econômicas e sociais, as embarcações apresentam as menores emissões de dióxido de carbono (CO2), o grande vilão do efeito estufa.
Comparativo entre modais - Emissão de CO2
Como apresentado na figura ao lado, para cada tonelada por quilometro útil transportada (TKU), o modal rodoviário responde pela emissão de 164 g de CO2. Já o ferroviário emite 48,1g deste elemento químico. Por sua vez, o transporte hidroviário libera apenas 33,4 g do principal gás causador das mudanças climáticas da terra. Eis o valor que a hidrovia agrega à sustentabilidade: a desaceleração do processo de aquecimento global. Numa conta simples, uma barcaça de 2.500 ton. retira da estrada cerca de 100 carretas, reduzindo a poluição, o tempo de congestionamentos e o número de acidentes provocados por veículos pesados nas rodovias.
Baner do Seminário. Fonte ANTAQ
Percebe-se que o Governo está ciente da envergadura desse encontro. Tanto que já reservou recursos financeiros e está empenhado no sucesso da organização desse fórum. Daí a importância de se intensificar a realização de eventos preparatórios nacionais, com ênfase no potencial do transporte aquaviário brasileiro. Em boa hora surge o II seminário Brasil-Bélgica sobre hidrovias, a ser realizado pela ANTAQ no início de abril. Em discussão as experiências de sucesso dos dois países e as vantagens econômicas, ambientais e sociais desse modal. Quiçá, as ideias, propostas e modelos apresentados sirvam como sementes para o avanço do debate na Rio+20.
Enfim, o ano de 2012, que para alguns representa o apocalipse, a exemplo do calendário Maia, pode ser a grande oportunidade para tomada de consciência dos líderes de nações e da sociedade, acerca da importância de se adotar padrões sustentáveis de produção e consumo em escala global.

Por JOSE ALLAMA

6 comentários:

  1. Bemvindo ao Rio Grande, Allama. Mais um blogueiro a trabalhar, estimular e divulgar as hidrovias do RS! Saudações do blog "Hidrovias Interiores-RS", Hermes.

    ResponderExcluir
  2. Seja muito bem vindo,Allama.
    És mais um a somar na nossa luta diária de revitalizar e incrementar a navegação interior no RS.

    Cordiais Saudações.
    Otávio Kosby.

    ResponderExcluir
  3. Mas que tal? De volta aos pagos sulinos, que satisfação, no momento em que vivemos acho muito importante lutar por soluções ecologicamente corretas e a hidrovia seguramente é um seguimento na área dos transportes que corresponde a este anseio da sociedade.
    Conhecendo o Allama como conheço, tenho certeza que ele veio pra lutar e ajudar a construir o futuro das hidrovias no sul do Brasil.

    Bem vindos.

    Elson Lemos

    ResponderExcluir
  4. Caro Allama, muito bom,

    É preciso notar tbm que as atitudes e ações ambientais são na realidade um estímulo ao progresso. As riquezas geradas pelo ambientalismo é hoje a 3° indústria mundial, segundo matéria que li.

    As ações ambientais são: evitar o desperdício de eletricidade, água, insumos, tempo dos funcionários, entre outras. Tudo isso gera bem estar social, causa menos poluição, menos doenças. Gera também mais empregos, porque bem estar causa bem estar.

    As grande empresas inclusive ganham com isto, pois também se dedicam ao assunto. Neste ano, o PIB dos EUA foi muito bom exatamente por causa do empuxo extra das ações ambientais.

    ResponderExcluir
  5. Por falar em ações ambientais, vi em matéria da Portos e Navios que as Casas Bahia e outras empresas estão transportando seus móveis e produtos por cabotagem, ao longo do litoral brasileiro.

    Parabéns a estas empresas !!

    ResponderExcluir
  6. Seja bem vindo José Allama... o bom filho a casa torna! Fico mais feliz ainda em constatar que continuas incansável na defesa da hidrovia, dando a este meio de transporte a importancia de que o nosso Brasil precisa e merece! Abraços. Ione Allama

    ResponderExcluir